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A.A.R.L.S. INDÚSTRIA E CARIDADE Nº 0049 DETENTORA DA CRUZ DA PERFEIÇÃO MAÇÔNICA. 

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          O dia 2 de janeiro é uma data importante para a Maçonaria friburguense porque foi nesta data, em 1839, a fundação, na então Villa de Nova Friburgo, da Loja Maçônica Indústria e Caridade. Trata-se de uma efeméride na história de Nova Friburgo, que foi fundada em 16 de maio de 1818 para uns, pois foi quando Dom João VI assinou o Decreto Real concedendo o estabelecimento de uma colônia de suíços na então Fazenda do Morro Queimado; ou 3 de janeiro de 1820 para outros, com a chegada efetiva dos suíços e a sanção real do decreto de criação da Villa de Nova Friburgo sob os auspícios de São João Batista. Não importando a data, Nova Friburgo ofereceu guarida à criação da Loja de São João Indústria e Caridade, nascida com o apoio das principais autoridades públicas do país, sendo relevante o empenho de João Vieira de Carvalho (barão, conde, visconde e marquês de Lages e que foi diretor e comandante militar da nascente Nova Friburgo, entre 1821 e 1822, além de conselheiro de estado e ministro da Guerra, cargo que exercia no ano em que se fundou a Loja Maçônica em Nova Friburgo). Ela é uma das mais antigas, entre as que permanecem em atividade no Brasil, estando entre as 15 mais antigas entre milhares de Lojas Maçônicas que se espalham pelo país. Em Nova Friburgo, excetuando-se as entidades de caráter religioso ou administrativo, a Loja Maçônica Indústria e Caridade é a mais antiga, fundada apenas 19 anos após a chegada dos suíços às terras do Morro Queimado.

Os maçons brasileiros reconhecem a importância da Loja Maçônica Indústria e Caridade no desenvolvimento da Maçonaria no Brasil.
Mas, voltando à então Villa de Nova Friburgo, como é que a Maçonaria chegou às terras do Morro Queimado? Ela chegou nos primeiros anos do povoamento com os suíços, os alemães e com os outros grupos de imigrantes que forjaram a etnia desta terra. A fundação da Loja Maçônica Indústria e Caridade começou com reuniões de maçons procedentes da então cidade do Rio de Janeiro, capital imperial; de Niterói, capital da província; e de Vassouras, então importante centro cafeeiro do país. Entre estes maçons estava Maurício José Guerra Gomes D’Aguiar, maçon grau 30 do Rito Escocês Antigo e Aceito, que foi comissionado para presidir a instalação da Loja. Após a instalação, ele foi eleito o primeiro Venerável Mestre (presidente), ficando no cargo por apenas quatro meses, pois faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 2 de maio de 1839. Enfim, em 2 de janeiro de 1839 era fundada a Loja Maçônica Indústria e Caridade, isto é, apenas 19 anos após a criação da Villa de Nova Friburgo.
Muito se perguntam das razões para se fundar uma Loja Maçônica numa localidade ainda com tão poucos habitantes. As informações contidas em documentos da época sinalizam que as principais razões foram de interesse político, pois as maiores autoridades imperiais eram maçons e assim se abririam as portas para, entre outras ações, naturalização dos colonos estrangeiros, repressão ao trabalho escravo, desenvolvimento de pequenas indústrias artesanais (que aproveitassem as habilidades e os costumes dos imigrantes europeus), incentivo à iniciativa particular (represada no período colonial), estímulo à instrução cultural (educandários escolares, leitura, imprensa etc), desbravamento do vale do Rio Macacu e de outros, que eram recobertos pela densa Mata Atlântica e que serviam de refúgio a malfeitores que pilhavam tropeiros e mercadores da região.
Não existe confirmação de que houvesse maçons no conjunto dos imigrantes suíços, mas é certo que José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, na condição de Grão-Mestre do Oriente do Brasil, entidade que congregava os maçons brasileiros à época, e amigo do então Conde de Lages (conselheiro de estado e ministro da Guerra, muito ligado às origens de Nova Friburgo), tenha contribuído para a formação do grupo responsável pelas reuniões e pelos entendimentos que culminaram com a fundação da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Indústria e Caridade (entre os quais estava Gonçalves Ledo, um dos principais artífices da independência do Brasil, natural de Cachoeiras de Macacu, também proprietário rural na localidade denominada Santo Antônio de Sá, onde findou os seus dias, aos 19 de maio de 1847). Estes nomes foram os prováveis fiadores da comissão designada ao maçom Maurício José Guerra Gomes D’Aguiar para presidir a instalação inauguradora da renomada Oficina, em 2 de janeiro de 1839.
A índole que motivou a criação da Augusta e Respeitável Loja Indústria e Caridade, por si só, explica a indelével memória das atividades com que sua contribuição está vinculada ao desenvolvimento sociocultural da cidade de Nova Friburgo.
Isto posto, basta citar o compromisso assumido por seus obreiros, desde a época da sua fundação até o ato da Princesa Dona Isabel, firmado em 13 de maio de 1888 (Abolição da Escravatura), segundo o qual seus obreiros indenizaram senhores de escravos para que estes lhes concedessem a alforria (principalmente crianças do sexo feminino) e se recusaram a admitir candidatos que mantivessem profissão envolvida com o comércio de escravos ou que explorassem quaisquer atividades ilícitas.
À parte o grande número de atitudes assistenciais em prol de pessoas desvalidas, quer quanto à privação de recursos para a própria sobrevivência, quer quanto ao precário estado da saúde em que se encontravam, a Loja sempre prestou ajuda a várias instituições benemerentes e a programas de incentivo à educação, inclusive em parcerias com outras entidades idôneas, bem como a promoção de campanhas de estímulo aos nobres ideais de cidadania e do civismo, sempre em busca da formação de uma juventude inserida nos contextos morais e éticos defendidos para Maçonaria. Estes trabalhos desenvolvidos ao longo dos seus profícuos anos continuam nos dias de hoje. O profundo combate à poluição moral, à violência coletiva, à contaminação ambiental. O apoio a empreendimentos que visem à beneficência altruísta em prol de criaturas humanas carentes da solidariedade fraternal. Sem se importar em aparecer perante a opinião pública, preferindo agir discretamente, a Loja Maçônica Indústria e Caridade é parceira de outras entidades na promoção do bem-estar humano, além de priorizar a ajuda desinteressada, não só a inúmeras famílias carentes, mas também a entidades que prestam relevantes serviços ao povo friburguense. Enfim, os atuais obreiros da Loja Maçônica Indústria e Caridade continuam se empenhando em manter todos os ideais que incentivaram os 12 ilustres homens que em 2 de janeiro de 1839 plantaram em Nova Friburgo as sementes que germinaram e se tornou uma robusta árvore na floresta maçônica universal.