Reuniões Loja Simbólica:  Segundas feiras às 20h /  Reuniões Lojas Filosóficas: Quintas feiras às 20h

 


 

 
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Pronunciamento do venerável mostra um pouco

da trajetória dos 180 anos da nossa instituição

Ao iniciar minhas palavras sobre o evento de hoje, vamos voltar no tempo.

         O ano de mil oitocentos e trinta e nove estava começando e a independência do Brasil iria fazer o décimo sétimo ano de sua proclamação.

         Havia sido uma conquista que a maçonaria concretizara e tornara irreversível, na memorável sessão do dia 20 de agosto de 1822, levada a efeito na Loja Comércio e Artes, Oriente do Rio de Janeiro, tendo a presidi-la a figura de Joaquim Gonçalves Ledo, sem dúvida alguma o verdadeiro, o legítimo Patriarca da Independência, tendo em vista que foi em consequência da sua determinação, da sua persistência, da sua luta incessante, da sua capacidade de catequese e envolvimento, do poder convincente da sua palavra que a maçonaria, afinal, resolveu encampar o movimento nacional pela emancipação política do Brasil. Em suma, foi ele quem proferiu o discurso decisivo, na aludida sessão do dia 20 de agosto de 1822, conclamando a todos os maçons a que, em nome do Grande Oriente do Brasil na época, e da própria nação, proclamassem a Independência naquele momento mesmo, naquela histórica reunião à qual José Bonifácio, por motivos outros, não participara e, mesmo assim, o Imperador D. Pedro I, cujo codinome maçônico era irmão Guatimozim, viera a proclamá-la em 7 de setembro do ano de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.

        

       Nova Friburgo era então uma vila, antes daquele longínquo ano de mil oitocentos e trinta e nove, condição a que ascendera havia já dezenove anos e na qual ia estruturando uma comunidade cada vez mais progressista, mais laboriosa, desenvolvendo e aprimorando um belíssimo sentimento de família social, fortemente unida pelos mesmos ideais de fraternidade e de civismo.

         Naquela época, a maçonaria ainda não havia implantado nenhuma célula no organismo comunitário, muito embora o terreno estivesse pronto para ceder à semeadura luminosa, de que afinal tanto andava a necessitar, como forma de um novo e vigoroso impulso para as lides do desenvolvimento.

         Contudo, maçons já existiam vivendo na vila, iniciados em outros orientes, dispostos a plantar, naquele canteiro de ouro do amor fraternal, a semente que viria a ser depois uma das mais pujantes ramificações da nossa sublime ordem em nosso país.

         Lamentavelmente, naquela época, a Corte não havia cumprido o seu compromisso de apoiar os imigrantes suíços e de outras origens, que vieram colonizar e alavancar os cantões da Vila de Nova Friburgo, até que, o padre e maçom Jacob Joye, conhecendo maçons que eram influentes perante a Corte, iniciou uma campanha plantando a semente que viria a germinar, rapidamente, tendo como consequência a materialização do evento que seria a fundação de nossa loja, fazendo com que a Corte, influenciada pelos maçons que a cercavam, adotasse um tratamento mais adequado, em termos de recursos, para auxiliar no desenvolvimento da Vila de Nova Friburgo, soerguendo uma sociedade nova que começava a ser estruturada.

         Imaginemos meus prezados, aqueles maçons existentes na vila, cheios de ideais, discutindo, debatendo, pensando em datas, em locais apropriados, tudo para que, logo no início do ano de 1839, pudesse a maçonaria contar, em Nova Friburgo, com mais um templo para exaltação da virtude, o sacerdócio da fraternidade, o apostolado do amor ao semelhante, e o repúdio absoluto aos vícios e aos erros, através do permanente aprendizado e multiplicação do bem.

         Era, prezados amigos, o dia dois de janeiro do ano de mil oitocentos e trinta e nove, da era vulgar, e ano de cinco mil oitocentos e trinta e nove, da verdadeira luz, luz que, aninhava no espírito e no coração de DOZE OBREIROS dedicados à arte real, ia se materializar, esplendorosamente, sob a forma de mais um templo maçônico, mais um areópago da verdade, mais uma catedral da virtude, mais uma trincheira de abnegados para a luta incessante que a nossa sublime ordem enceta, permanentemente, sobrepondo-se às fronteiras e às delimitações geográficas, contra o vício e contra o erro.

         Maurício José Gomes de Aguiar, Joaquim Antônio Teixeira, Manoel Francisco de Oliveira, Fernando Carr de Bustamante, Justino Barbosa da Cruz, o Padre Jacob Joye, Felismão Proste, Anacleto Dias de Oliveira, D. Gregório Velasco, José Correa Vasquez, Francisco de A. F. Mendonça e Julião Broconot, foram os escolhidos, os eleitos pelos superiores desígnios do Grande Arquiteto do Universo para a arrancada inicial da magnífica tarefa apostolar.

         Reunidos ao meio dia simbólico do labor maçônico, como eternos aprendizes dos mistérios de nossa ordem, ei-los todos, revestidos das insígnias sagradas e dos paramentos litúrgicos, formando uma cadeia de fé e de esperança, de idealismo e de amor, de liberdade, de igualdade e de fraternidade, para a instalação solene da recém criada loja, com o título distintivo de INDÚSTRIA E CARIDADE, momento impregnado da emoção mais profunda, da vibração espiritual mais pura, da sinceridade mais autêntica.

         Parabéns Nova Friburgo, por ter sido escolhida para ser o berço de nossa loja maçônica então criada.

         Parabéns irmãos do quadro, por pertencerem a esta Instituição tão digna de nosso respeito e carinho.

         Parabéns loja maçônica Indústria e Caridade por existir e completar 180 anos de fundação, servindo às mais nobres causas, tanto para a sociedade brasileira, em geral, quanto para os habitantes de Nova Friburgo, em particular.

         E, finalmente, graças te rendemos oh! Grande Arquiteto do Universo, quando ao nos criar, ter nos deixado, como legado, a oportunidade de podermos por em prática os princípios constitucionais de nossa sublime ordem, nos orientando a aplicar diariamente os princípios de nossa ordem, entre os quais o que pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade; como também o princípio que proclama que os seres humanos são livres e iguais em direito e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um.

         Ouso ainda mencionar um terceiro princípio no qual nossa ordem defende a plena liberdade de expressão do pensamento, como direito fundamental do ser humano, observada a correlata responsabilidade.

         E vou mais além ao dizer que nossa ordem reconhece o trabalho como dever social e direito inalienável, e, também, considera irmãos todos os maçons, quaisquer que sejam suas raças, nacionalidades, convicções e crenças.

         Finalmente, brado aqui o nosso lema:

         “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE!”

         VIVA A LOJA MAÇÔNICA INDÚSTRIA E CARIDADE!

         VIVA A MAÇONARIA UNIVERSAL!

         VIVA O NOSSO BRASIL!

         Que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine e guie.

         MUITO OBRIGADO A TODOS”, concluiu sua explanação o venerável mestre da A.'. R.'. L.'. S.'. Indústria e Caridade de Nova Friburgo, irmão Alenício Cavalcante de Mello.

 

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Revista 180 Anos