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Proclamação da República e a efetiva
participação da Maçonaria Brasileira

Por: Ir.: Luiz Antonio Dias

Como grande parte dos brasileiros sabem e a maioria de nós maçons temos conhecimentos, a Maçonaria Brasileira nasceu com o Brasil e esteve presente em todos os principais acontecimentos históricos que fizeram com que surgisse o Pais que vivemos hoje. Assim, não poderia ser diferente a participação maçônica na Proclamação da República.

Tanto que ao iniciar esta abordagem, destaco parte do seguinte editorial do então jornal GAZETA DA TARDE que existiu no Rio de Janeiro e que em sua edição de 15 de novembro de 1889, publicou: “A partir de hoje, 15 de novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as conseqüências da Liberdade”.

Esta concretização de um Estado Republicano foi, sem dúvida, o fato histórico mais importante de nosso País, tendo como líderes e idealizadores, maçons ilustres que hoje estão em nossos livros de História, tais como Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamin Constant, Ruy Barbosa, Campos Salles, Quintino Bocayuva, Prudente de Moraes, Silva Jardim e outros mais.

Na época em que isso aconteceu, a idéia republicana já era um desejo antigo no Brasil, principalmente se considerar as ocorrências de alguns outros importantes acontecimentos verificados antes, como a Guerra dos Mascates em 1.710; a Inconfidência Mineira no ano de 1.788; a Revolução Pernambucana em 1.817; a Confederação do Equador em 1.824, a Sabinada em 1.837 e a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, que durou dez anos, de 1.835 a 1.845. Por isso, muitas cabeças pensantes daquelas épocas, já imaginavam e até esperavam que a Proclamação da República seria, como acabou sendo, uma questão de tempo.

Isso também, por que o Império Brasileiro estava desgastado e vagarosamente já estava se ruindo, tanto que após as batalhas e guerras citadas anteriormente, a sua queda começou a se desenhar claramente após a Guerra do Paraguai em 1.870, conflito no qual mesmo o nosso Brasil saindo-se vencedor, o Exército seu principal agente, não foi devidamente valorizado e reconhecido, ocasionando assim sérios descontentamentos. Além disso, vale ressaltar, que a Igreja Brasileira, também por sua vez, queria a liberdade, uma vez que se encontrava submetida aos mandos do Império.

Mas além destes aspectos, o fato principal que fez com que o Império perdesse sua sustentação, foram as leis antiescravistas, defendidas fervorosamente nas Lojas Maçônicas Brasileiras, que também registraram suas importantes participações nos surgimentos de outras relevantes leis, como a do Ventre Livre em 1.871; a dos Sexagenários em 1.885 e finalmente no ano que seria o anterior a Proclamação, a Lei Áurea assinada em 13 de maio 1.888.

Atentos a todos estes fatos – e aqui abrimos um parêntese em nossa visão, guardadas as devidas proporções, que nos faz lembrar destes tempos atuais em que nós, os maçons que integramos à Loja Maçônica Indústria e Caridade de Nova Friburgo, nos mostramos atentos e em campanha para que o Poder Legislativo Municipal de nossa cidade tenha MENOS CADEIRAS DE VEREADORES EM SUA FORMAÇÃO FISICA EM DETRIMENTO DE MAIS SOLUÇÕES E REALIZAÇÕES EM PROL DOS MUNÍCIPES FRIBURGUENSES... enfim, inúmeros e ilustres maçons daquela época pensando a frente e naquilo que poderia ser o melhor para o país, através de várias lojas, como a “Vigilância e Fé”, de São Borja no Rio Grande do Sul e as “Regeneração” e “Independência e Regeneração III”, ambas da cidade paulista de Campinas, aprovaram um manifesto contrário ao advento chamado Terceiro Reinado e enviaram a todas as Lojas Maçônicas do Brasil, para que tomassem conhecimentos e apoiassem esta causa. Inclusive, volto a fazer referência a nossa Loja Indústria Caridade, que certamente também tomou conhecimento deste manifesto, uma vez que ela já fazia existir há exatamente meio século, tendo sua fundação datada de 2 de janeiro de 1.839. Assim e mais uma vez, a Maçonaria se mostrava de maneira prática, efetiva, forte e acima de tudo, capaz de liderar um Movimento Democrático dessa envergadura e importância.

Em 10 de novembro de 1.889, numa reunião na residência do Irmão Maçon Benjamim Constant, com presenças de alguns maçons, como Quintino Baocayuva, Francisco Glicério, Campos Salles e Aristides Lobo, entre outros, foi decidida pela queda do Império. Com tal decisão, Benjamim Constant foi incumbido de persuadir o Marechal Deodoro da Fonseca, que mesmo um pouco adoentado, mantinha sua importância vital junto ao Exército Brasileiro, além do fato de ser ele muito afeiçoado ao Imperador. No dia seguinte e portanto, há 4 dias antes da data que seria da Proclamação da República, uma nova reunião foi realizada, desta feita na residência do Marechal Deodoro, estando presentes também além de Quintino, Glicério, Campos Salles e Aristides, outros destacados maçons como Rui Barbosa, major Frederico Sólon Sampaio Ribeiro e até o Almirante Eduardo Wandenkok, que foi o primeiro oficial da Marinha à aderir a idéia republicana. Neste encontro, Deodoro relutou muito em tomar a frente daquela missão, pois respeitava bastante seu amigo D. Pedro II e com isso, os presentes, tiveram também que relutar em demasia até convencer que ele, o Marechal Deodoro, realmente aceitasse e se transformasse, como ocorreu, em peça chave, para ser finalmente, proclamada a nova república.

Assim a estratégia deu certo e o conceituado Marechal Deodoro assumiu o comando do movimento e proclamou a República do Brasil na data de 15 de novembro de 1889. Em meio a esta situação e desfecho, surgiu também um certo reconhecimento de justiça ao Imperador D. Pedro II. É que de certa forma contrariando o que supunha ou esperava a opinião pública da época, ele por ser um homem culto e que não queria ver derramado o sangue de brasileiros, não lutou por permanecer no trono, demonstrando desta maneira para muitos, um alto sentimento altruísta e de reconhecimento que de fato para o Brasil seria melhor seguir seu novo destino republicano.

Acredita-se, a partir de um pensamento um tanto quanto lógico, que esta postura de D. Pedro II, relatada anteriormente de não se opor e não desejar ver um possível derramamento de sangue frente a iminente Proclamação da República, tenha - vamos dizer assim – encontrado alguma força ou incentivo no fato de seu pai, D. Pedro I, ter sido maçon, na medida em que ele soube que por trás daquele presente movimento republicano tinham justamente vários e ilustres homens maçons. Vale salientar, que conforme levantamentos observados, o D. Pedro I, cujo nome completo era Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, nascido no Palácio de Queluz, nos arredores da cidade de Lisboa, foi proposto e iniciado em 2 de agosto de 1.822 nos mistérios da nossa Ordem pela “Loja Comércio e Artes”, após sua aprovação pura e limpa. Por questões óbvias de segurança, ele adotou o nome histórico de Guatimozin... Pedro Guatimozin e três dias depois, em 5 de agosto, foi exaltado ao grau de Mestre Maçon. Assim um tanto rápido, para que de certa forma pudesse ser dada sustentação à Independência do Brasil, que acabou vindo a ocorrer exatos 33 dias a frente, em 7 de setembro de 1.822. Com isso, podemos concluir que como sabem muitos ou todos maçons, a importância da Maçonaria é tão significativa na Proclamação da República, quanto foi anteriormente na Independência do Brasil.

Voltando a D. Pedro II, parece que sua postura, foi de fato tão acertada quanto clara, que no dia seguinte a Proclamação da República ele deixou como resposta ao novo governo, as seguintes palavras textualmente escritas:

“À vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir, com toda a minha família, para a Europa, deixando esta Pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranho amor e dedicação, durante mais de meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade.” Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889, assinado: D. Pedro de Alcântara”.

Desta maneira, seguiu para o exílio o Imperador D. Pedro II e com ele também, se foi mais de meio século de história do Brasil Imperial. Estava proclamada a República e voltavam as esperanças de se construir uma nova nação, dentro dos ideais de LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE... predicados que como todos nós irmãos maçons sabemos, dizem muito aos nossos corações.

Torna-se oportuno destacar também, que no dia 21 de novembro, ainda daquele importantíssimo ano de 1.889, o “Jornal República Brasileira” publicou o seguinte trecho em seu editorial:

“Comecemos de pensar. Esta República que veio assim, no meio do delírio popular, cercada pela bonança esperançosa da paz; esta República no século XIX que surgiu com a precisão dos fenômenos elétricos, sem desorganizar a vida da família, a vida do comércio e a vida da indústria; esta República americana que trouxe o símbolo da paz, que fez-se entre o pasmo e o temor dos monarquistas e a admiração dos sensatos - esta República é um compromisso de honra e um compromisso de sangue. (...)”

Agora, antes de finalizar esta apresentação, querido venerável mestre Jadir Portugal de Oliveira, venerável mestre auxiliar e 1° Vigilante Raul Jarbas, assim como igualmente amados irmãos de nossa Loja Indústria e Caridade de Nova Friburgo, tomo a liberdade de apropriar-me de belas palavras do Mestre Maçon da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Cavaleiros do Vale do Rio Negro, do Oriente de Rio Negro em Santa Catarina, que certo tempo atrás, num importante trabalho atestou o seguinte: “A exemplo de todos estes fatos, devemos ter os mesmos atos de coragem que tiveram os maçons que hoje fazem parte da história da Humanidade. Temos a obrigação de agir para que, no futuro, sejamos citados pelos maçons que nos sucederem, e que, da mesma forma, os nossos nomes fiquem registrados como cidadãos atuantes, na memória histórica de cada rua, cada bairro, cada cidade, cada Estado, por toda a Nação. Que os presentes e futuros maçons tenham em nós, como tivemos nos maçons do passado, o exemplo motivador de defesa da cidadania como instrumento de busca de uma sociedade mais igualitária, mais justa e fraterna, portanto, mais feliz”.

Nova Friburgo/RJ, 17 de novembro de 2014

Ir.: Luiz Antonio Dias
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CIM 270.094

A.R.L. Indústria e Caridade n° 49
de Nova Friburgo / RJ.